Revista Eco-Pós
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Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJEscola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiropt-BRRevista Eco-Pós2175-8689<p> </p> <p>Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização ou reprodução.</p> <p>Você tem o direito de:<br />- Compartilhar — copie e redistribua o material em qualquer meio ou formato.<br />- Adaptar — remixar, transformar e construir sobre o material para qualquer filme, mesmo comercial.</p> <p>O licenciante não pode revogar esses direitos, desde que você respeite os termos da licença.</p> <p>De acordo com os seguintes termos:<br />- Atribuição — Você deve dar o devido crédito, fornecer um link para a licença e indicar se essas alterações foram feitas. Você pode fazê-lo de qualquer maneira razoável, mas não de maneira que sugira que o licenciante endosse ou aprove seu uso.<br />- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos legais ou medidas de natureza tecnológica que restrinjam legalmente outros de fazer algo que a licença permite.</p> <p><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: small;">Aviso: A licença pode não fornecer todas as permissões necessárias para o uso pretendido. Por exemplo, outros direitos, como publicidade, privacidade ou direitos morais, podem limitar a maneira como você usa o material.</span></span></p>Como podemos nos comunicar com os objetos?
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<p>O artigo amplia as possibilidades de compreensão e releitura do significado de comunicação tendo como chave fundamental o conceito de "sentir" formulado por Mario Perniola. Ao questionar a tradição do conhecimento ocidental e o privilégio do pensar em relação ao sentir, Perniola postula como a suspensão da subjetividade poderia conduzir a novas relações com o mundo e os objetos, o que poderíamos observar, conforme destaca, em experiências como o <em>cybersex</em>, o uso de alucinógenos e as sonoridades <em>hardcore</em>. Nesses exemplos, a razão humana daria lugar a modos de acessar o mundo desde fora de si, promovendo o "trânsito" ou a "osmose" entre interior e exterior, algo capaz de "pôr em comum" e, assim, fazer comunicar humano e coisa em um tipo de experiência "neutra". Nessa perspectiva, do mesmo modo que nós, sujeitos, poderíamos renunciar à ação, os objetos poderiam agir sobre nós, despertando nossa atenção ou atraindo-nos, em uma espécie de "<em>sex appeal</em> do inorgânico".</p>Eli Borges Junior
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2025-12-182025-12-1828338540210.29146/eco-ps.v28i3.28337A liquefação da modernidade e o advento de uma neosofística
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<p>O artigo desenvolve o tema da transição sociocultural e histórica entre a alta modernidade e a baixa modernidade (modernidade líquida), conforme o conceito oferecido por Bauman. A liquefação da modernidade se intensifica com o aparecimento da internet e seus derivados tecnológicos como as mídias digitais desta transformação civilizacional. A compreensão histórica dos fenômenos socioculturais e políticos deste novo período em formação reclama um novo referencial metodológico que pode ser denominado de <em>neosofística</em>.</p>Marcos H. Camargo
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2025-12-182025-12-1828340342810.29146/eco-ps.v28i3.28435Corpos da Cena/Em Cena
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<p>Durante as crises — sanitária e política — vividas no Brasil nos últimos anos, um grupo teatral de São Paulo se reinventa na cena audiovisual, e uma produtora de filmes do Recôncavo da Bahia encontra no palco um lugar de morada para o cinema. Nessa perspectiva da experiência, os atravessamentos entre o filme Mugunzá (Rosza Filmes, 2022) e o vídeo-performance Feitiço contra o fim do mundo (coletivA ocupação, 2020) fazem do palco teatral a encruzilhada que multiplica e possibilita outros caminhos de ser e estar. Mugunzá foi filmado inteiramente no Cine Theatro Cachoeirano, tendo seu palco, sua estrutura física e simbólica, como ingredientes no preparo das imagens fílmicas. Já a coletivA ocupação teve que sair dos palcos para performar dentro de casa, produzindo cartas em forma de vídeo. Nesse caldeirão, movimentos espiralares (Martins, 2021) enlaçam temporalidades, artes e personagens para oferecer aspectos radicais na ancestralidade do território e do audiovisual experimental.</p>Francine AlthemanAngelita BogadoAna Luisa CoimbraScheilla de Souza
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2025-12-182025-12-1828342945110.29146/eco-ps.v28i3.28372Elon Musk, Twitter e o “jornalismo cidadão”
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<p>O presente artigo tem como objetivo analisar publicações feitas pelo empresário Elon Musk sobre a prática de um aparente <em>jornalismo cidadão</em> na plataforma X, adquirida por Musk em 2022. Para isso, analisamos 21 publicações feitas por Musk entre 20 de outubro de 2023 e 15 de julho de 2024 sobre o tema. A partir das perspectivas de autores como Cesarino (2023), Poell, Nieborg e Van Dijck (2020), Steensen e Westlund (2021) e Nielsen e Ganter (2022), afirmamos que os posicionamentos de Musk são representativos de uma nova fase na relação entre plataformas digitais e veículos jornalísticos, com as primeiras buscando reduzir a importância dos segundos e, especificamente no caso do X, substituindo o papel dos veículos como fonte de conteúdo e engajamento por publicações de <em>jornalistas cidadãos</em>, beneficiando comercialmente a plataforma e Musk, além de potencialmente beneficiar aspectos antiestruturais presentes no antigo Twitter.</p>João Pedro MalarElizabeth Nicolau Saad Corrêa
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2025-12-182025-12-1828345247910.29146/eco-ps.v28i3.28414Entre lutas
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<p>O objetivo deste artigo é analisar o combate à desinformação sob a perspectiva dos Estados Partes do Mercosul. Trata-se de um estudo exploratório, baseado na análise de 33 documentos produzidos entre 2020 e 2023 nas reuniões da Comissão Permanente de Comunicação em Direitos Humanos (CPCDH). Para ampliar a abordagem, foram também consideradas propostas legislativas e bibliografia sobre reações da sociedade civil. Os resultados indicam que, embora existam iniciativas locais, o bloco regional avançou de forma limitada nesse campo. Apenas em 2023 surgem medidas concretas, revelando ingresso tardio do Mercosul nas discussões internacionais. Ademais, o processo de integração plena segue marcado por disputas desde a criação do bloco, tornando o futuro da integração e das estratégias contra a desinformação dependente da superação dessas tensões.</p>Sinomar Soares de Carvalho SilvaFrancisco Gilson Rebouças Pôrto Júnior
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2025-12-182025-12-1828348050010.29146/eco-ps.v28i3.28204Um Grande Dia para as Escritoras:
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<p>O artigo aborda a literatura escrita por mulheres a partir do movimento Um Grande Dia para as Escritoras (@grandediaescritoras, no Instagram), iniciado em junho de 2022, que fotografou 2.302 autoras em 52 localidades do Brasil e do mundo. Tomando como dimensão analítica a abordagem interseccional em relação à experiência de escrita e leitura, o consumo de livros e a formação de comunidades literárias digitais, o texto parte do já constatado fato de que a produção literária foi, historicamente, realizada de forma majoritária por escritores homens, para compreender dimensões interseccionais e transmidiáticas na articulação coletiva e na visibilidade das participantes. A análise apontou que o movimento contribuiu para o empoderamento, a resistência e a noção de pertencimento das escritoras, enquanto buscava registrar a presença das mulheres diversas na literatura contemporânea.</p>Ana Carolyna Gonçalves BarbozaVerônica Soares da Costa
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2025-12-182025-12-1828350153110.29146/eco-ps.v28i3.28246Audiolivros e a voz do texto
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<p>Este artigo tem como objeto de estudo os audiolivros. Considerando as múltiplas práticas possibilitadas por esse formato e a diversidade de suas produções, resultantes de distintas escolhas editoriais, propõe-se analisar as avaliações de audioleitores da obra <em>1984</em>, de George Orwell, disponíveis na plataforma Audible Brasil, serviço de audiolivros da Amazon. A partir de uma reflexão sobre a história da leitura no Ocidente e sobre as práticas contemporâneas de leitura, busca-se examinar, em especial, os comentários que enfatizam aspectos técnicos do audiolivro — com destaque para a centralidade da figura do narrador.</p>Ana Carla Ferreira Longo MoraesRafael de Oliveira Barbosa
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2025-12-182025-12-1828353255510.29146/eco-ps.v28i3.28289“Jornalismo de livros” e a revista Quatro Cinco Um
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<p>Neste artigo, refletimos quanto ao <em>jornalismo de livros</em>, o qual compreendemos como representativo de uma subcategoria do jornalismo cultural. Argumentamos que se trata não somente de um conjunto de gêneros textuais, mas do produto resultante de práticas editoriais em uma rede de produções jornalísticas mais ampla, cuja especificidade reside na relação com os livros como fonte para discussão da atualidade, e cuja identidade como produto jornalístico está ligada a essa rede. Para isto, partimos de produções autorreferenciais da revista <em>Quatro Cinco Um</em>, problematizando sua materialidade em seus contextos de publicação, edição e produção, a fim de compreender como, ao falar sobre livros, seu jornalismo promove um certo pensamento sobre o mundo.</p>Frederico de Mello Brandão TavaresKaio Moreira Veloso
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2025-12-182025-12-1828355657810.29146/eco-ps.v28i3.28247O 8 de Janeiro e a Destra do Altíssimo
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<p><em>O objetivo deste trabalho é estudar a comunicação político-religiosa que compõe o populismo de extrema direita brasileiro na contemporaneidade. A partir das imagens da intentona bolsonarista de 8 de janeiro de 2023, que circularam na internet e compuseram a cobertura jornalística da época</em><em>, argumentamos que este evento, demonstrou o uso da fé e do sagrado como ferramentas de comunicação e propaganda política, que chancelou rupturas com os valores democráticos. Uma trama feita a partir da captura do discurso religioso e de sua imbricação com a militância bolsonarista. A análise das imagens é conduzida com base na teoria ator-rede (TAR) e nos estudos da tecnoestética de Simondon ([1954] 1992), que permitem identificar nesses eventos ocorridos em Brasília, um arranjo cívico-religioso que divide o Brasil e que exalta “o cristão” como um herói ultranacionalista, um “cidadão do bem”, um soldado em guerra contra o mal, muitas vezes identificado como os comunistas e as esquerdas.</em></p>Andréa Basílio da Silva ChagasBruno Araújo
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2025-12-192025-12-1928357960310.29146/eco-ps.v28i3.28194Modernismo após o centenário de efeméride
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<p>Apresentação do dossiê Modernismos no Brasil: textualidades e travessias</p>André BotelhoDenilson LopesRodrigo Jorge Neves
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2025-12-182025-12-182831610.29146/eco-ps.v28i3.28620Apresentação editorial e expediente
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<p>Apresentação editorial e expediente<br>Revista Eco-Pós, v. 28, n. 3, 2025</p>Fernanda BrunoMarcelo KischinhevskyLucas Murari
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2025-12-182025-12-1828371210.29146/eco-ps.v28i3.28621A Formação do moderno
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<p>Em 1915, Afonso Arinos proferiu em São Paulo um ciclo de conferências seguido de um sarau de encerramento no Teatro Municipal organizado por ele. Em 1917, os eventos foram reunidos no livro póstumo <em>Lendas e tradições brasileiras</em>. Este texto propõe uma travessia rumo ao passado modernista com base nesse livro-documento. A voz de Arinos indica a formação de uma visão de mundo forjada entre segmentos da elite intelectual da época em que a valorização das tradições folclóricas delimita lugar-chave na busca de um ideal de brasilidade. Remete a uma visão de tais tradições e a temas que ressoariam na obra posterior Mário de Andrade, presente ao sarau de encerramento e admirador das conferências. Ao mesmo tempo, ao trazer exímios músicos populares vindos do Rio de Janeiro conduzidos pelo violonista João Pernambuco para o sarau de encerramento do ciclo, a perspectiva proposta nas conferências se desestabiliza e se expande. A presença dos músicos no sarau ilumina a pujança da música popular urbana da época, bem como a agência e a criatividade de seus artistas. Vem embaralhar as fronteiras entre as cenas culturais erudita, folclórico-tradicional e popular-urbana, e abrindo brechas na perspectiva de brasilidade emoldurada apenas pela valorização das culturas tradicionais.</p>Maria Laura Viveiros Castro Cavalcanti
Copyright (c) 2025 Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti
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2025-12-182025-12-18283133210.29146/eco-ps.v28i3.28553Na linha de equador
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<p>Este artigo tem como objetivo o mapeamento do polo modernista amazonense no fim dos anos 1920. Para isso, acompanha a atividade de editor, escritor e agitador cultural de Clóvis Barbosa, que esteve à frente de três revistas modernistas de volume único publicadas em Manaus em 1929: <em>Primeiro de Janeiro</em> (1929), <em>equador: cartaz de brasilidade</em> (1929), <em>equador: panorama literário do Norte de hoje</em> (1929). O estudo desse corpus demanda duas providências e proporciona ao menos uma conclusão original. As providências são um breve percurso histórico que retorna do Clube da Madrugada, nos anos 1950, à década de 1920 e a concepção do modernismo brasileiro como uma articulação autoconsciente dos diversos núcleos de produção cultural do País. A conclusão, por sua vez, apontará para a singularidade poética de Francisco Pereira como parte do projeto de Clóvis Barbosa.</p>Leandro Pasini
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2025-12-182025-12-18283335410.29146/eco-ps.v28i3.28443O grupo Clã, a edição e modernismo no Ceará
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<p>Nosso propósito, neste artigo, é analisar os projetos e as estratégias da geração de intelectuais modernistas cearenses atuantes entre as décadas de 1930 a 1950. Reunidos na Editora Fortaleza, no periódico <em>Valor</em> (1938-1947) e no grupo e revista <em>Clã</em> (1946-1988), foram os mediadores necessários para a circulação de ideias estéticas e modelos institucionais. Buscamos compreender a lógica específica de modernização em um espaço periférico que, entre outras modalidades de engajamento intelectual, apostou no convívio entre novos e velhos escritores por meio do trabalho de institucionalização da produção cultural.</p>Andrea Borges LeãoErich Soares de Oliveira
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2025-12-182025-12-18283558910.29146/eco-ps.v28i3.28550A seda azul do papel que envolve a maçã
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<p>Este artigo busca evidenciar as chaves analíticas empregadas por Afonso Arinos de Melo Franco em seu livro de memórias, <em>A alma do tempo</em>, para pensar três cidades brasileiras: Belo Horizonte, Brasília e Petrópolis. Argumento que o tema das cidades, no qual se inscrevem essas análises, recebe no contexto das memórias um tratamento ensaístico capaz de identificar, em cada cidade singular, seus aspectos distintivos: ora observando a presença de uma sociabilidade urbana e de um papel civilizador vigorosos, ora, sob lentes quase sociológicas, apontando os aspectos problemáticos da <em>cidade artificial</em>, assim como o efeito paradoxal da degradação urbana promovida pelo progresso. Em comum nesta seleção de cidades vistas por Afonso Arinos estão os vínculos com o modernismo, seja nos debates intelectuais entre os seus pares, tendo a cidade como locus, seja nas mudanças quanto às suas avaliações sobre a arquitetura modernista, no sentido da afirmação idiossincrática de um modernismo mineiro.</p>Carmen Felgueiras
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2025-12-182025-12-182839011210.29146/eco-ps.v28i3.28557O modernismo seria uma alegoria?
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<p>Este artigo tem como objetivo examinar a crítica de Roberto Schwarz em duas vertentes. De um lado, sua leitura da obra de Machado de Assis, em <em>Ao vencedor as batatas</em> (1977) e <em>Um mestre na periferia do capitalismo</em> (1990); de outro, sua reflexão sobre o modernismo e o tropicalismo, em textos como <em>O psicologismo na poética de Mário de Andrade</em> (1995), <em>Cultura e política, 1964-69</em> (1975), <em>A carroça, o bonde e o poeta modernista</em> (1987) e <em>Verdade tropical: um percurso de nosso tempo</em> (2012). A hipótese que orienta a análise é que, ao interpretar o tropicalismo como alegoria do Brasil, Schwarz aproxima-se das concepções de Walter Benjamin, em <em>Origem do drama trágico alemão</em>, e de György Lukács, em sua <em>Estética</em>. Em contrapartida, nas leituras de Machado, o princípio da volubilidade e a desfaçatez de classe podem ser compreendidos como alegorias no sentido formulado por Fredric Jameson, em <em>Allegory and Ideology</em> (2021) e em <em>Third-World Literature in the Era of Multinational Capitalism</em>.</p>Ana Karla Canarinos
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2025-12-182025-12-1828311313510.29146/eco-ps.v28i3.28562“O Brasil não abarca o Brasil"
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<p>Este trabalho tem como objetivo investigar de que forma <em>Makunaimã: o mito através do tempo</em> (2019) tensiona as ficções de Brasil consolidadas hegemonicamente, inclusive o projeto modernista de Mário de Andrade, que já se constituía a partir da proposição de uma ontologia oscilante (Coelho, 2022), à luz da hipótese de que a dramaturgia propõe uma desnacionalização do Brasil, a partir do inacabamento (Medeiros; Silva Filho; Gomes, 2021) como operação criativa. Por isso, estabelecemos um diálogo frontal com Renato Ortiz, para quem toda identidade é uma construção simbólica (1985), bem como as reflexões de Edimilson de Almeida Pereira (2022), para quem interessa a linguagem que produz um Brasil permanentemente indecifrado e enigmático.</p>Eduardo dos Santos CoelhoBarbara Alves MatiasCarolina Fabiano de Carvalho
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2025-12-182025-12-1828313615510.29146/eco-ps.v28i3.28565Macunaíma em palimpsestos
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<p>No marco dos 90 anos de <em>Macunaíma</em>, de Mário de Andrade, novas obras — a peça <em>Makunaimã: o mito através do tempo</em> e o documentário <em>Por onde anda Makunaíma?</em> — dialogam criticamente com o romance, ao mesmo tempo em que o homenageiam. As obras apontam para uma certa apropriação e dessacralização de Andrade do mito de Makunaima ao mesmo tempo em que reconhecem a importância do livro do escritor modernista. A partir da ideia de palimpsesto, analisamos a peça e o filme e as obras <em>ReAntropofagia</em>, de Denilson Baniwa (2021), para pensar diferentes camadas e sobreposições entre romance, mitos indígenas, estudos antropológicos e suas adaptações. Objetivo é refletir sobre o impacto do romance nos povos indígenas e problematizar o caráter colonialista da dessacralização de suas narrativas, processo que, por sua vez, mantém vivo e em constante transformação o mito de <em>Makunaima</em> em diferentes contextos históricos e midiáticos.</p>Eduardo Miranda SilvaLuisa Chaves de MeloMarina Burdman da Fontoura
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2025-12-182025-12-1828315618010.29146/eco-ps.v28i3.28559Carne de segunda
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<p>O interesse pela cultura popular ocupa um lugar de grande importância no trabalho de Mário de Andrade. Orientado por uma concepção romântica da cultura popular, no entanto, ele manteve com suas manifestações urbanas e midiáticas uma relação contraditória, oscilando entre a rejeição, o estranhamento e a sedução. O que se pretende, neste artigo, é explorar essas contradições, a fim de refletir sobre o modo como a emergência de um novo cenário cultural, provocada pela modernização das grandes cidades brasileiras nas primeiras décadas do século XX, se refletiu em seu pensamento e sua produção literária. Reelaborando, por meio da ficção, as questões com que se debatia em seu trabalho como pensador da cultura, o escritor paulistano demonstra uma aguda consciência dos limites e implicações políticas de seu próprio lugar na vida cultural brasileira.</p>Marcelino Rodrigues da Silva
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2025-12-182025-12-1828318120110.29146/eco-ps.v28i3.28554A poesia que une?
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28546
<p>O estudo da correspondência de escritoras e escritores revela processos de trocas literárias e intelectuais. As cartas de Mário de Andrade (1893-1945) já foram objeto de vários estudos e edições críticas. Neste artigo, partimos de uma pergunta principal: quais as potencialidades reveladas na troca epistolar entre escritores homens e mulheres escritoras? Quais lógicas patriarcais atravessam essas redes de sociabilidade? Em um primeiro momento, apresentamos Gabriela Mistral (1889-1957) e explicamos o início de sua relação profissional, pessoal e literária com o Brasil, que teve como ponto de partida as trocas profissionais e intelectuais com Cecília Meireles (1901-1964) e Henriqueta Lisboa (1901-1985). Na sequência, analisamos a correspondência trocada entre Gabriela Mistral e Mário de Andrade a fim de compreender as potencialidades do arquivo de um escritor homem na pesquisa sobre mulheres escritoras, explorando as lógicas patriarcais que atravessam esses diálogos.</p>Regiane MatosNadia Ayelén Medail
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2025-12-182025-12-1828320222910.29146/eco-ps.v28i3.28546O modernismo, sua crítica e o Brasil
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28580
<p>O artigo aponta como o Modernismo dos anos 1920, baseado em São Paulo, construiu uma memória de si mesmo como movimento decisivo para a cultura do Brasil no século XX, mas identifica que, desde os anos 1980, surgiu e se consolidou uma crítica a essa memória, explicitando a pluralidade de forças modernizantes na arte. Essa crítica colocou em relevo a irresolução de uma questão essencial: como escapar ao elitismo da arte ao pensar o Brasil? Para Mário de Andrade, a música seria o caminho mais provável, por sua capacidade de comunicação; o que evidenciaria sua força inconteste com a canção popular. Daí emergiu uma promessa de felicidade pela cultura, dificilmente cumprida na realidade social. O artigo questiona se o que Chico Buarque pensou ser a negação da canção, com o rap, não denuncia o fosso entre o sonho modernista e a concretude nacional.</p>Pedro Duarte Andrade
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2025-12-182025-12-1828323025110.29146/eco-ps.v28i3.28580Orfeu nas quebradas
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<div> <p>O documentário <em>AmarElo</em> (2020), lançado às vésperas do centenário da Semana de Arte Moderna e em meio à pandemia, propôs uma nova linhagem para o movimento modernista no Brasil. As quebradas seriam a fonte de um encantamento órfico, como se delas emergisse, à meia luz, uma toada abrangente e porosa a carregar consigo os desafios da população negra e periférica, que guardaria o segredo nem sempre confessado da força da imaginação modernista. Neste artigo, analiso a releitura de 1922 proposta por Emicida e como, em <em>AmarElo</em>, os grandes debates sobre o marco nacional são relidos à luz de uma agenda contemporânea. Ao fim, a pergunta é se, em tempos de luta identitária e reversão democrática, seria ainda possível pensar a comunidade nacional como composição heteróclita e cosmopolita, assim como formulada por um dos mais líricos rappers que o Brasil já produziu.</p> </div>Pedro Meira Monteiro
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2025-12-182025-12-1828325227510.29146/eco-ps.v28i3.28567A Liga de Mário e Ariel
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28575
<p>Mais do que as obras literárias, as revistas foram o mais eficaz instrumento de comunicação das ideias modernistas. Mais do que isso, constituíram simultaneamente um laboratório de experimentação da linguagem e uma plataforma de intervenção cultural, que nos dão a dimensão do modernismo em e como movimento. Pretendo aqui traçar um perfil de corpo inteiro de Ariel: Revista de Cultura Musical, material praticamente inexplorado pela vasta fortuna crítica do modernismo, e qualificar seu papel na afirmação de um ideário musical ao mesmo tempo moderno e nacional, enfocando a direção de Mário de Andrade na editoria do periódico, do número 9 ao 13. Se a militância modernista de Mário em suas poéticas iniciais, inspirada na simultaneidade sonora da composição musical, desenvolve a ideia de “polifonia” e “simultaneísmo” a fim de romper com a mimese e com a linearidade do discurso verbal, em Ariel ele como que incorpora esse princípio formal polifônico à própria fatura da revista.</p>Maurício Hoelz
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2025-12-182025-12-1828327629810.29146/eco-ps.v28i3.28575Travessia latino-americana
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28560
<p>Este artigo analisa as transformações do pensamento político e estético de Mário Pedrosa a partir de três viagens decisivas em sua trajetória: Alemanha, Estados Unidos e Chile. Cada um desses deslocamentos provocou uma inflexão em sua maneira de conceber a relação entre arte, política e sociedade. Na Alemanha, aderiu ao trotskismo; nos EE.UU, consolidou-se como crítico de arte moderna; e no Chile, sob influência do governo da Unidade Popular, assumiu uma perspectiva terceiro-mundista e latino-americanista. O texto se concentra neste último período, destacando seu papel na criação do Museu da Solidariedade e seus projetos inacabados após o retorno ao Brasil, como o Museu das Origens. Sustenta-se que a experiência chilena marcou a passagem de uma estética modernista para a valorização das artes populares e indígenas como formas de resistência cultural e política.</p>MARIO CAMARA
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2025-12-182025-12-1828329931510.29146/eco-ps.v28i3.28560O bandeirante da língua e o Iauaretê
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28579
<p>O processo de modernização conservadora e excludente do Brasil encontra um contraponto crítico na obra de João Guimarães Rosa, que procurou narrar a nação a partir de suas margens arcaizantes sertanejas, figuradas ao mesmo tempo como resistência e fronte do avanço do impulso colonial sobre terras ainda não incorporadas. Se o modernismo paulista de 1922 exaltou o bandeirante e procurou cantar-se como herdeiro de seu “espírito” expansionista e conquistador, em acorde com a elite cafeeira que o financiou, em 1928 o movimento reverte essa perspectiva, buscando, em contradição, identificar-se com o silvícola metamórfico “sem nenhum caráter” (<em>Macunaíma</em>) e o “índio” antropófago (<em>Manifesto</em>), de modo a recolocar o problema nacional em bases, talvez, opostas. “Meu tio o Iauaretê” (1961), neste contexto, parece tomar os motes de 1928 (recenseáveis na primeira dentição da <em>Revista de Antropofagia</em>) como uma espécie de programa a ser deglutido crítica ou até mesmo agonicamente, colocando-o em confronto com a modernização bárbara que calava oculta no projeto original do modernismo. Diante deste cenário, este artigo investiga a hipótese que lê o conto rosiano como uma tradução de um Brasil como <em>fronte de guerra</em> – ou como <em>zona fronteira em guerra</em> –, alegorizado na cena de um confronto fundante entre o jagunço (ponta de lança do sistema proprietário) e o onceiro onçado (que transiciona de matador a parente de onças, ou seja, de “inútil utilizável” a ameaça a ser dizimada). O sentido dessa agonia é o tensionamento da fronteira tanto exterior – que opõe o desonçamento e desindianização da terra à resistência de onças e indígenas – quanto interior – no movimento entre a turvação e a nitidez do pertencimento solidário ao universo diferencial do todo-mata.</p>Maurício Ayer
Copyright (c) 2025 Maurício Ayer
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2025-12-182025-12-1828331634410.29146/eco-ps.v28i3.28579Fragmentos da "modernidade desconfiada" nas relações políticas do futebol e da imprensa na BH dos anos de 1920 a 1940
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28569
<p>O artigo apresenta indícios de textualidades das modernidades presentes no futebol e na imprensa da capital mineira nos anos de 1920 a 1940. Discute-se sobre características que aproximam os espaços físicos destinados à prática do futebol na cidade com o modo como a imprensa e o seu discurso sobre o fazer jornalístico atuaram. Ao considerar os apontamentos de Benjamin sobre modernidade, este artigo argumenta, pelos fragmentos textuais em seus contextos enredados, por caracterização de uma <em>modernidade desconfiada</em> de Belo Horizonte (Minas Gerais).</p>Ives Teixeira SouzaNísio Teixeira
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2025-12-182025-12-1828334537010.29146/eco-ps.v28i3.28569Guilherme Vaz e o deslitígio do universo
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28555
<p>Este artigo analisa a obra de Guilherme Vaz a partir de sua crítica aos modelos formais e institucionalizados das artes moderna e contemporânea. Propõe-se que sua prática — centrada na escuta, no tempo e no deslocamento — reposiciona o papel social do artista, recusando o objeto artístico como mercadoria e investindo em uma estética do sujeito. A partir de experiências com povos indígenas e sertanistas, Vaz desenvolve uma metafísica do modo existente, que confronta a herança construtiva brasileira e articula uma crítica à racionalidade ocidental. O texto argumenta que sua produção, marcada por obras sonoras, performances, instalações e escritos, apresenta afinidades com perspectivas descentralizadas dos modernismos brasileiros, contribuindo para pensar outras formas de imaginar e construir o Brasil por meio da arte.</p>Franz Manata
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2025-12-182025-12-1828337138410.29146/eco-ps.v28i3.28555A perda e a falta - ensaio visual
https://ecopos.emnuvens.com.br/eco_pos/article/view/28624
<p>Portfólio do dossiê "Modernismos no Brasil: textualidades e travessias" <br>Revista Eco-Pós, volume 28, número 3, 2025.</p> <p>Arte gráfica: Henry Fragel</p>Lena Bernstein
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2025-12-182025-12-18283